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Geral

O movimento dos caminhoneiros, a conjuntura e os impactos para a população e à soberania do Brasil
29/05/2018

Diante da situação que vivemos desde o início do movimento dos caminhoneiros, que afeta e preocupa cada brasileiro, não podemos nos isentar de manifestar o nosso posicionamento e refletir sobre os motivos que levaram a esse protesto, quais as verdadeiras causas do problema, os interesses envolvidos, as consequências para a população e para a soberania nacional, bem como sobre o que defendemos e apontamos como caminho a seguir.

Os motivos que propiciaram o surgimento do protesto foram as sistemáticas altas no preço dos combustíveis, principalmente o diesel por ser o principal combustível utilizado dos fretes e demais transportes de mercadorias. O elevado custo do diesel impacta diretamente os caminhoneiros autônomos, sufocando suas condições de vida já precarizadas pelo baixo preço do frete pago pelas grandes empresas e transportadoras. Da mesma forma, os altos preços do diesel geram redução das taxas de lucros das grandes empresas e transportadoras.

Assim, o movimento conta com a participação de caminhoneiros autônomos e empregados, mas também com o evidente incentivo de grandes empresas transportadoras e de outros setores patronais, pois lhes interessa ampliar seus lucros. Os caminhoneiros empregados acabam por defender indiretamente os interesses dos seus patrões, por isso se tem na pauta do movimento a desoneração da folha de pagamento e a redução de PIS/COFINS, que são exemplos de itens que trazem mais benefícios aos patrões que aos trabalhadores. Alguns setores patronais, além de não se pronunciam contra a greve, têm fornecido apoio estrutural para os bloqueios de rodovias e garantido o valor da diária a motoristas das empresas com o caminhão parado.

O SindSaúde/SC se manifesta contrário à desoneração da folha de pagamento, pois isso significa que as empresas transportadoras deixarão de pagar a previdência de seus empregados para ampliar seus lucros, sem qualquer retorno para a sociedade. Além disso, a retirada do PIS, Cofins e do CIDE sobre os combustíveis, significa a transferência de mais recursos públicos para subsidiar o preço final do combustível, afetando diretamente o financiamento da previdência, da saúde e da assistência, pois estes impostos hoje são, em parte, destinados ao financiamento da seguridade social. A ameaça da reforma da previdência parece ainda estar a solta!

Também é preciso denunciar as tentativas oportunistas de alguns setores da sociedade que se aproveitam do movimento dos caminhoneiros para difundir a ideia de que a solução para os problemas do Brasil seria a intervenção militar. Tal proposta é extremamente perigosa para toda a classe trabalhadora, pois acabaria com o livre direito de manifestação dos trabalhadores. A história mostra que a ditadura militar só defendeu os interesses da classe dominante e marcou a vida do nosso povo com torturas e prisões, além de colocar uma parcela imensa do povo trabalhador na miséria, o que não se pode mais admitir nos dias de hoje. A melhoria nas condições de vida do nosso povo não depende de intervenção militar e sim de um governo que seja eleito pelo povo para defender os interesses do povo. Dessa forma, também somos contrários a qualquer tentativa de realização de eleições indiretas.

Ao mesmo tempo que repudiamos os pedidos de intervenção militar, o SindSaúde/SC solidariza-se com as reivindicações legítimas dos caminhoneiros, como a redução do preço do combustível e o piso nacional para o frete. Entendemos que a verdadeira causa que gera o aumento do preço dos combustíveis está nas tentativas de privatização da Petrobrás, intensificada por Pedro Parente na presidência da Petrobrás e por Temer no governo federal. Desde 2016, a Petrobrás adotou uma nova política de preços, que passou a ser determinada pela variação da cotação do petróleo no mercado internacional, o que ocorre em dólar. Assim, a cada variação do dólar ou do preço do barril de petróleo, nós pagamos a conta nas bombas dos postos de combustíveis. Soma-se a isso, o fato de que as refinarias da Petrobrás vem sendo desmontadas, fazendo com o que o país precise importar derivados do petróleo do mercado internacional. Essa política serve apenas aos acionistas privados da Petrobrás.

Essa situação é tão grave que as Federações dos Petroleiros e seus sindicatos convocaram a categoria petroleira para uma greve nacional de advertência de 72 horas, a partir desta quarta-feira 30/05. O SindSaúde/SC se solidariza com essa pauta da categoria petroleira, na luta contra a privatização da Petrobrás e em defesa desse patrimônio do povo brasileiro, assim como o SUS.

É neste sentido que nos somamos a convocação do ato desta quarta-feira às 15h, com concentração em frente a Catedral de Florianópolis. A classe trabalhadora precisa se pautar pela defesa do patrimônio público e dos interesses nacionais, e repudiar a possibilidade de radicalização do golpe que certos dirigentes empresariais deste movimento estão defendendo. Precisamos voltar a ocupar o espaço da classe trabalhadora, colocar a luta nas ruas, e rechaçar as propostas dos setores conservadores. Tanto a política de Temer quanto as propostas antidemocráticas não representam a classe trabalhadora, e só servem para entregar de vez todas as riquezas nacionais ao capital estrangeiro. A saída precisa ser pela radicalização da democracia e por alternativas que representem de fato os interesses de povo trabalhador.

- Pela redução dos preços dos combustíveis e do gás de cozinha!
- Pela mudança na política de preços da Petrobrás!
- Em defesa da Petrobrás 100% pública e estatal e da soberania nacional!
- Pelo fim das importações de derivados de petróleo!
- Não às privatizações da Petrobrás, da Eletrobrás, dos bancos públicos e de todas as estatais!
- Contra a intervenção militar!
- Pela saída imediata de Pedro Parente da presidência da Petrobrás!
- Por eleições diretas e livres!

FORA TEMER E POR UMA SAÍDA DEMOCRÁTICA PARA O BRASIL!

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